Hoje como curiosidade decidi falar da telenovela Doce Fugitiva, exibida em 2006/2007 pela TVI.
Esta telenovela tem muitos pontos curiosos, na medida em que surgiu na sequência de um tornado que se abateu sobre a TVI em 2006. Passo a explicar. Em Julho de 2006 a TVI perdeu a liderança para a SIC pela primeira vez desde Abril de 2005. Esta perda da liderança deveu-se a três factores: a etapa final do Mundial na SIC, a novela Floribella também da SIC e o facto da telenovela milionária recém estreada "Tempo de Viver" da TVI não se ter imposto nas audiências logo no inicio. Recordo que nessa época a TVI sofreu uma grande humilhação ao ver Floribella, uma telenovela muito barata, ganhar a "Tempo de Viver", uma mega-produção. A TVI recuperou a muito custo a liderança em Agosto, mas o horário nobre estava claramente ameaçado.
Foi nessa sequência, e perante os maus resultados de "Tempo de Viver" que a TVI estudou a hipótese de mandar produzir uma telenovela com uma história simples, colorida e com uma componente musical. E aí surgiu "Kachorra", uma telenovela argentina de 2002 exibida pela estação Telefe, que a TVI tinha já adquirido na altura.
José Eduardo Moniz decidiu adaptá-la e "Doce Fugitiva" ficou pronta em Outubro, altura em que estreou na TVI. Lembra-se do genérico?
A principal diferença à partida entre a versão original e a versão adaptada é que em Kachorra a protagonista apenas faz uma ligeira mudança de visual e finge ser a perceptora das crianças. Na versão Portuguesa, Rita Pereira fingiu ser uma freira especialista em chocolates. Aliás, a questão da fábrica de chocolates é outra inovação introduzida por Moniz na novela da TVI. A novela na estreia ultrapassou os 18% de rating, mas caiu drasticamente nos dias seguintes, tendo terminado a semana abaixo dos 30% de share e abaixo dos 12% de rating. A novela acabou por subir lentamente nas semanas seguintes, mas só nos últimos meses de exibição se consagrou como grande sucesso de audiências. A chave para o sucesso foi exactamente o facto de não ser uma telenovela infantil como Floribella. Tinha elementos adultos e não era tão fantasiosa, apesar da protagonista falar com um espelho (enquanto Floribella falava com uma árvore). A respeito disso Júlia Pinheiro confessou que a proposta inicial era a Estrelinha falar com a maçaneta de uma porta...
Para muitos e também para mim a grande atracção da telenovela foi a interpretação da vilã Natália por Maria João Luís.
Para muitos e também para mim a grande atracção da telenovela foi a interpretação da vilã Natália por Maria João Luís.
Comparação entre Floribella e Doce Fugitiva (fonte: Marktest)



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